Bibliografia: Capítulo 18: Transcriptional regulation in prokaryotes pgs. 615-635. Molecular Biology of the Gene. J.D. Watson.
Meta: Entender o Operon Lac como um modelo simples de controle da expressão gênica.
Objetivos
Operon
Por exemplo, as bactérias utilizam glicose preferencialmente em seu metabolismo. Caso exista apenas lactose no ambiente e a bactéria seja capaz de clivá-la, a bactéria expressará β-galactosidase. No entanto, quando o ambiente não possui lactose, não há produção dessa enzima. Como isso ocorre?
Operon é um conjunto de genes nos procariontes e em alguns eucariontes que se encontram funcionalmente relacionados, contíguos e controlados coordenadamente, sendo todos expressos em apenas um RNAm. Ou seja, é constituído por um promotor, um operador e os genes estruturais.
No contexto dessa aula, é importante a visualização dos diferentes genes envolvidos no processo de regulação da expressão gênica em procariotos:
Embora exista um mesmo código genético em todas as células de um organismo, diferentes células possuem funções e estruturas distintas (ex: a hemoglobina só é expressa em hemácias). Dessa maneira, o gene não é expresso inteiro em uma única célula e, portanto, células distintas expressam fragmentos distintos de todo o genoma. Isso instigou por muito tempo a necessidade de descobrir como ocorre a regulação das diversas partes do material genético de modo a determinar quais fragmentos serão expressos em quais tecidos. Além disso, bactérias possuem a capacidade de selecionar genes para serem expressos e inibidos (“ligados e desligados”) e, dessa forma, podem se adaptar a diversos ambientes.
A expressão gênica pode ser regulada em nível do DNA através, por exemplo, de mudanças sequenciais dos pares de bases. Isso ocorre por mecanismos de rearranjo e recombinação. Um exemplo da funcionalidade desse mecanismo é a possibilidade de uma célula expressar imunoglobulinas (Ig) e realizar, posteriormente, a sua troca de classe ou isótipo. Vale dizer que esse mecanismo não é restrito aos eucariotos, visto que diversas bactérias também são capazes de regular a expressão gênica dessa maneira. Por exemplo, bactérias podem modular os genes que codificam a expressão de flagelos. Assim, a “ligação” ou “desligamento” desse gene codificante depende da inversão de sequências de DNA que irão inibir ou não inibir tal expressão. Essa inversão ocorre em nível do promotor, com a inversão deste, impedindo a expressão da proteína que compõe o flagelo.
Na realidade, a regulação da expressão gênica pode ocorrer em diversos momentos do mecanismo de produção e expressão de proteínas:
O promotor é a região do DNA onde a RNA polimerase se liga de maneira orientada para iniciar a transcrição. Em procariotos, a RNA polimerase reconhece diretamente o promotor através do fator sigma. Nos eucariotos, a RNA polimerase precisa do auxílio de fatores de transcrição gerais.
Na região de terminação, forma-se uma região rica em ligações entre citosina e guanina, na forma de um grampo. Essa estrutura é seguida por uma sequência de adeninas, onde a ligação é mais fraca.
Os RNAs bacterianos podem ser policistrônicos, ou seja, codificam a síntese de mais de uma proteína por RNAm. Isso é interessante, pois é um modo de “economia” dos processos de regulação. A decisão pelo início da transcrição de um RNA regula a síntese de várias proteínas, normalmente associadas a funções biológicas integradas.